A NEWSLETTER DE QUEM VOTOU NA MUDANÇA · TODO DIA ÀS 7HNEWSLETTER TODO DIA ÀS 7HLOJA: CAMISETAS R$ 149,00
A CULPANÃO É MINHA Assinar grátis

Impostos em 2027: o que muda com CBS, Seletivo e IR mínimo

A CBS passa a ser cobrada em janeiro, o Senado fixa a alíquota até 15 de dezembro e a carga já está em 32,4% do PIB

Análise Por Redação A Culpa Não É Minha · · Economia · 9 min de leitura

Os impostos em 2027 vão mudar de cara. Em 1º de janeiro, a reforma tributária sai da fase de teste: a CBS, o novo tributo federal sobre o consumo, passa a ser cobrada no lugar do PIS e da Cofins. Mas a alíquota ainda não existe: ela será fixada pelo Senado até 15 de dezembro.

Com a reeleição de Lula confirmada pelo TSE no domingo (25), a dúvida virou "quanto". Veja os cinco pontos que pesam no bolso e o que o quarto mandato promete.

1. Impostos em 2027 começam pela CBS, no lugar de PIS e Cofins

A CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) é a metade federal do novo IVA, o imposto sobre valor agregado: cada empresa paga sobre o que acrescentou e desconta o que já foi pago antes na cadeia. Segundo o Poder360, PIS e Cofins deixam de existir em 2027.

O IPI será zerado para a maior parte dos produtos e continua só para itens ligados à Zona Franca de Manaus, segundo a Agência Brasil.

A outra metade, o IBS, substitui o ICMS dos estados e o ISS das prefeituras mais devagar: a troca vai de 2029 a 2032, e os dois só somem em 2033, pelo cronograma da reforma.

Em 2026, no teste, a nota informa a CBS, mas a empresa não paga. Em 9 de outubro, a Receita contou quase nove em cada dez notas com o tributo nos 30 dias anteriores.

2. A alíquota ainda não existe, e a estimativa passa de 27%

O TCU, que recebeu da Receita uma proposta de cálculo sigilosa, marcou para quarta-feira (28) a deliberação do processo. O tribunal tem até sexta (30) para enviar a conta ao Senado, que terá até 15 de dezembro para fixar a alíquota por resolução.

A estimativa mais citada, adotada sem caráter oficial pelo Comitê Gestor do IBS, é de 9,21% para a CBS e 18,7% para o IBS: 27,91% no total, segundo a Agência Senado.

E os famosos 26,5%? Pela lei, segundo a Agência Senado, é o teto da alíquota de referência em 2033. Se a projeção de 2030 indicar estouro, a Presidência terá de enviar um projeto de lei com medidas para reduzir a tributação.

Dá para baixar? Só mexendo nas exceções. "Alterar a alíquota sem modificar as exceções significa renunciar à neutralidade", resumiu Alexandre Andrade, diretor da Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado, à Agência Senado. Neutralidade é arrecadar o mesmo que os tributos que saem.

3. Imposto Seletivo: o novo tributo sobre cigarro, bebida, carro e aposta

O Imposto Seletivo, o "imposto do pecado", mira o que é considerado nocivo à saúde ou ao meio ambiente. A lista inclui cigarros, bebidas alcoólicas e açucaradas, veículos, embarcações, aeronaves, carvão mineral, bens minerais e apostas.

O governo já conta com ele: o projeto de Orçamento de 2027 prevê R$ 41,9 bilhões do Seletivo, segundo a Agência Brasil. Só que o imposto ainda depende de uma lei específica, sem prazo para ser aprovada, e só pode ser cobrado 90 dias depois de instituído, segundo a Agência Senado. Para Andrade, da IFI, a demora pode atrasar a cobrança e reduzir a arrecadação prevista.

Em maio, o Congresso em Foco informou que a Fazenda deixou o envio da proposta para o segundo semestre, provavelmente para depois da eleição, mas manteve a estreia em 2027.

4. Imposto de Renda: a primeira declaração com o imposto mínimo

A Lei 15.270/2025 vale desde janeiro de 2026:

  • quem ganha até R$ 5 mil por mês tem o IR mensal zerado;
  • de R$ 5 mil a R$ 7.350, o desconto diminui aos poucos até sumir.

Segundo o Planalto, são cerca de 10 milhões de isentos e mais 5 milhões com desconto.

Em 2027, na declaração sobre os rendimentos de 2026, estreia o IRPF mínimo: quem soma mais de R$ 600 mil no ano passa a ter uma alíquota mínima que sobe até 10% a partir de R$ 1,2 milhão. Dividendos entram na conta; poupança, LCI e LCA ficam de fora, pela lei. O governo estima cerca de 140 mil contribuintes de maior renda atingidos.

Desde janeiro também há retenção de 10% na fonte quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil em dividendos no mês a uma mesma pessoa. Lucros de até 2025 com distribuição aprovada até o fim daquele ano têm regra de transição.

5. O pacote de 2025 segue pesando: JCP, fintechs e bets

Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou um pacote que vale a partir de 2026, segundo a Agência Brasil:

  • IR sobre juros sobre capital próprio (JCP) de 15% para 17,5%;
  • CSLL de fintechs e instituições financeiras subindo até 20% a partir de 2028;
  • mais imposto sobre as bets;
  • corte de cerca de 10% em benefícios fiscais ligados a tributos como PIS e Cofins.

Somadas, devem render R$ 20,9 bilhões a mais em 2026, pela conta do governo. Um levantamento da Gazeta do Povo contou 43 medidas para aumentar a arrecadação no atual mandato, até março de 2026, ou "uma nova iniciativa a cada 27 dias". Pela conta do jornal, o governo criou ou elevou impostos 36 vezes.

Carga tributária: 32,4% do PIB em 2025

A carga tributária bruta chegou a 32,40% do PIB em 2025, alta de 0,18 ponto sobre 2024, segundo o Tesouro Nacional, em dado ainda preliminar. Quem puxou a alta foi a União, com IR retido na fonte, IOF e contribuições à Previdência.

Para 2027, o projeto de Orçamento prevê R$ 636,8 bilhões com a CBS, ou 4,7% do PIB, a mesma proporção da estimativa anterior, segundo a Agência Senado. E a folga é pequena: o superávit primário previsto (o que sobra antes dos juros da dívida) é de só R$ 18,6 bilhões, segundo a Agência Brasil.

O que o quarto mandato promete para os impostos

O plano de governo de Lula, segundo a Exame, aposta em manter a isenção até R$ 5 mil, seguir tributando os mais ricos, offshores e fundos exclusivos, revisar benefícios tributários e concluir a reforma com cesta básica isenta e devolução de impostos.

Falta o outro prato da balança. Na análise da Gazeta do Povo, o plano não traz agenda clara de corte de despesas e mantém o arcabouço, que deixa o gasto crescer de 0,6% a 2,5% acima da inflação por ano. Na nossa avaliação, mais receita sem freio no gasto costuma terminar em dívida pública em alta.

O plano de Flávio Bolsonaro previa rever a reforma e reduzir o IVA, sem dizer qual alíquota nem como cobriria a perda de receita, segundo a mesma Exame. A partir de fevereiro, quem pesa nessa queda de braço é o Congresso eleito em 2026.

O que isso muda pra você

  • Ganha até R$ 5 mil por mês: nada muda; o IR mensal segue zerado.
  • Renda acima de R$ 600 mil por ano: reserve dinheiro, porque a declaração de 2027 pode cobrar a diferença até o mínimo.
  • Recebe dividendos: acima de R$ 50 mil por mês de uma mesma empresa, 10% ficam retidos.
  • No caixa do mercado: a CBS, que já aparece na nota desde 2026, passa a ser cobrada. O efeito nos preços depende da alíquota final e do setor.
  • Fuma, bebe ou vai trocar de carro: fique de olho no Seletivo, ainda sem alíquotas.
  • Tem empresa: em 2027 a CBS é paga de verdade, com crédito do que veio antes na cadeia; sistema e nota precisam estar prontos em janeiro.

A nossa leitura

A reforma do consumo tem uma ideia boa: trocar um emaranhado de tributos por um IVA mais simples. O problema é o tamanho. Um IVA estimado em quase 28% nasce acima dos 26,5% que a própria lei fixa como limite para 2033, e o Orçamento de 2027 já conta com R$ 41,9 bilhões de um Seletivo que nem tem alíquota votada. Com a carga em 32,4% do PIB e um plano que fala muito em receita e pouco em corte de gasto, o risco é a conta cair no colo de quem trabalha e produz.

O leitor de direita perdeu a eleição, mas não perdeu a razão nem a voz. O próximo round é agora: a alíquota no Senado até 15 de dezembro e as alíquotas do Seletivo. Cobre seu senador, acompanhe cada número e leve essa memória para 2028 e 2030.

Perguntas frequentes

Quais impostos mudam em 2027?

A partir de 1º de janeiro de 2027, a CBS passa a ser cobrada no lugar do PIS e da Cofins, e o IPI é zerado para a maior parte dos produtos, menos os ligados à Zona Franca de Manaus. O Imposto Seletivo está previsto no Orçamento, mas ainda depende de lei.

Qual será a alíquota da CBS em 2027?

Ainda não há número oficial. O TCU envia o cálculo ao Senado até 30 de outubro de 2026, e os senadores têm até 15 de dezembro para fixar a alíquota. A estimativa mais citada, adotada sem caráter oficial pelo Comitê Gestor do IBS, é de 9,21% para a CBS.

Quem ganha até R$ 5 mil paga Imposto de Renda em 2027?

Não. Desde janeiro de 2026, a Lei 15.270/2025 zera o IR mensal de quem ganha até R$ 5 mil e reduz o imposto de forma decrescente até R$ 7.350.

O que é o imposto mínimo para alta renda?

É uma cobrança complementar para quem tem renda acima de R$ 600 mil no ano, com alíquota que sobe até 10% a partir de R$ 1,2 milhão. A primeira apuração será na declaração de 2027, sobre os rendimentos de 2026.

Fontes

  1. Agência Senado: Reforma tributária: alíquota da CBS avança nesta semana (26/10/2026)
  2. Agência Senado: Presidente do TSE confirma reeleição de Lula e faz balanço do pleito (25/10/2026)
  3. Poder360: Entenda o que muda com a Reforma Tributária a partir de 2027 (02/08/2026)
  4. Agência Brasil: Governo prevê arrecadar R$ 636 bi com nova CBS em 2027 (31/08/2026)
  5. Reforma Tributária: TCU marca para 4ª feira deliberação de processo sobre o cálculo da CBS (26/10/2026)
  6. Congresso em Foco: Com alíquotas indefinidas, Fazenda mantém Imposto Seletivo para 2027 (28/05/2026)
  7. Planalto: Lei nº 15.270, de 26 de novembro de 2025
  8. Planalto: Isenção total do IR passa a valer oficialmente para 10 milhões de brasileiros que ganham até R$ 5 mil (01/01/2026)
  9. Agência Brasil: Governo prevê arrecadar R$ 4,4 bi com taxação de fintechs, bets e JCP (25/03/2026)
  10. Gazeta do Povo: Governo eleva carga tributária uma vez a cada 27 dias (29/03/2026)
  11. Tesouro Nacional: Carga tributária bruta do Governo Geral atinge 32,40% do PIB em 2025 (10/04/2026)
  12. Exame: Lula x Flávio Bolsonaro: o que cada um propõe para Imposto de Renda e IVA (24/10/2026)
  13. Gazeta do Povo: Plano de governo de Lula mantém gastos e não prevê cortes (17/08/2026)

Viu um erro? Corrigimos e registramos a correção no próprio texto.

Gostou? Receba o próximo no seu e-mail

Política e economia sem rodeio, todo dia às 7h. De graça.

Leia também

Votou na mudança? Vista.Camisetas oversized e baby look com a frase que virou o nosso nome. R$ 149,00.Ver a loja